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Menos de 1 ano

Criar uma Rotina Diária para o Seu Bebé: Ritmo, Não Horário

Se cada dia com o bebé parece diferente do anterior e não sabe se a próxima hora vai trazer uma mamada, uma sesta ou choro, está em boa companhia. A maioria dos pais de bebés com menos de um ano deseja que o dia tenha alguma forma, e muitos receiam que já devessem ter uma. Uma rotina no primeiro ano não é um horário imposto. É um ritmo que nasce das necessidades do bebé, e pode ajudá-lo a formar-se com mais suavidade do que imagina.

Porque acontece nesta idade

Um recém-nascido chega sem noção de dia ou de noite e sem capacidade de esperar. O estômago é minúsculo, por isso mama com frequência e a intervalos irregulares; o relógio biológico ainda não começou a funcionar; e só consegue estar acordado confortavelmente durante pouco tempo antes de precisar de dormir outra vez. Nenhum horário organiza isto; o que falta é maturidade.

Essa maturidade chega por etapas. As mamadas vão ficando um pouco mais espaçadas à medida que o estômago cresce. Por volta das 8 a 12 semanas, o relógio interno começa a distinguir o dia da noite e os períodos de sono mais longos passam a concentrar-se à noite. Entre os 4 e os 6 meses, a maioria dos bebés fica acordada durante períodos mais longos e previsíveis, faz menos sestas e mais compridas, e mostra sinais mais claros de fome e de cansaço. Na segunda metade do ano, os alimentos sólidos, o sentar e o gatinhar dão ao dia uma forma muito parecida com a de uma criança pequena.

Ao longo de todo este tempo, o que acalma o bebé é a previsibilidade, não o relógio. Um bebé não sabe ler um horário, mas aprende muito depressa que depois da mamada vem a brincadeira, e que o quarto na penumbra e uma canção querem dizer sono. Essa sensação de "eu sei o que vem a seguir" é, por si só, tranquilizadora, e é a base sobre a qual a rotina se constrói.

O que ajuda

Pense em sequências, não em horas. A forma mais útil de pensar nos primeiros meses é um ciclo que se repete: mamada, brincadeira, sono, e de novo mamada. Dar de mamar ao acordar, em vez de mesmo antes de dormir, significa que o bebé faz uma mamada completa enquanto está desperto, tem o seu momento mais sociável acabado de comer e vai para a sesta sem precisar da mamada para adormecer. Na prática: o bebé acorda, dá-lhe de mamar, passam um tempo juntos no tapete e, aos primeiros sinais de cansaço, ajuda-o a adormecer. O relógio nunca entra na conta e, ainda assim, o dia tem uma forma.

Ancore o dia com a luz da manhã e uma saída. Um início de dia consistente faz mais pelo relógio biológico do bebé do que qualquer outro passo isolado. Quando o bebé acorda para o dia, abra as cortinas, diga-lhe bom dia e dê a mamada com luz natural. Depois, planeie uma saída por dia, nem que seja um passeio de dez minutos no carrinho ou no pano. A luz do dia, o ar livre e o movimento suave ajudam a separar o dia da noite, e um ponto fixo de manhã torna o resto do dia mais fácil de prever.

Observe as janelas de vigília e deixe-as crescer. O tempo que um bebé consegue estar acordado e bem-disposto aumenta ao longo do ano: muitas vezes só 45 a 90 minutos nos primeiros três meses, cerca de 1,5 a 2,5 horas entre os 4 e os 6 meses, e duas a quatro horas entre os 7 e os 12 meses. Saber mais ou menos onde o seu bebé está ajuda a começar a acalmá-lo antes que fique cansado demais. Se o seu bebé de cinco meses acordou às 7h e às 8h45 começa a desviar-se dos brinquedos e a esfregar os olhos, é esse o momento de começar a preparação para a sesta, não vinte minutos depois.

Use um dia-tipo flexível como ponto de partida e depois ajuste-o. São formas, não horários:

Escreva a sua própria versão e altere-a de poucas em poucas semanas; ajuda a perceber o que já acontece mais ou menos à mesma altura todos os dias.

Reserve de propósito tempo no chão. A brincadeira de um bebé é sobretudo estar no chão com um adulto por perto: tempo de barriga para baixo desde as primeiras semanas, esticar-se para agarrar objetos, rebolar e, mais tarde, sentar e gatinhar. Para bebés que ainda não se deslocam sozinhos, procure vários períodos curtos que somem pelo menos 30 minutos de barriga para baixo por dia, e tente não deixar o bebé acordado mais de uma hora seguida na cadeira do carro, na espreguiçadeira ou no carrinho. Depois da mamada da manhã, por exemplo, estenda uma manta no chão, deite-se em frente ao bebé e converse com ele durante dez minutos. Isso passa a fazer parte do ritmo tanto como uma sesta.

Deixe a rotina ceder e depois regressar. Picos de crescimento, dentes, constipações, vacinas e viagens desarrumam o padrão durante uns dias. Um bebé que de repente quer mamar de hora a hora ou recusa a segunda sesta está, em geral, a crescer, não a andar para trás. Siga o bebé, mantenha os pontos fixos que puder (a luz da manhã, a saída, a preparação para a noite) e conte que o ritmo antigo regresse em cerca de uma semana.

O que evitar

Olhar para o relógio em vez de olhar para o bebé. Uma rotina que diz "mamada às 10h, sesta às 11h" falha no primeiro dia em que o bebé tem fome às 9h30, e pode levar a adiar uma mamada ou a forçar uma sesta quando o bebé está a pedir exatamente o contrário. A ordem conta; o minuto exato não.

Restringir as mamadas nos primeiros meses para caber num padrão. Os bebés com menos de cerca de seis meses, e sobretudo os recém-nascidos, precisam de ser alimentados a pedido, sempre que mostram sinais de fome, seja com leite materno ou com fórmula. Mamar com frequência nas primeiras semanas é o que estabelece a produção de leite e o que permite ao bebé ganhar peso. O ritmo vem de sequências consistentes, não de esticar os intervalos.

Comparar o dia do seu bebé com o de outro. Há bebés de quatro meses que dormem sestas de duas horas seguidas; outros dormem aos bocados de quarenta minutos até bem depois dos seis meses, e ambos podem estar ótimos. A rotina certa é a que se ajusta ao temperamento do seu bebé e à vida da sua família.

Encher o dia. Aulas e passeios podem ser ótimos, mas um bebé levado de atividade em atividade o dia inteiro perde o tempo no chão e o tempo de pausa de que o desenvolvimento depende. Uma saída e bastante tempo normal em casa chegam.

Quando procurar ajuda

Contacte o pediatra, o médico de família ou a enfermeira do centro de saúde se:

Fontes

Este guia é informação geral e não substitui aconselhamento médico ou psicológico. Se estiver preocupado com o seu filho, fale com o médico ou com outro profissional.