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Menos de 1 ano

O Meu Bebé Está Atrasado? Compreender o Desenvolvimento no Primeiro Ano

Algures durante o primeiro ano, a maioria dos pais dá por si a ver outro bebé rebolar, sentar-se ou palrar e a contar as semanas em silêncio. Essa preocupação é sinal de que está atento, e é exatamente disso que o seu bebé precisa. O primeiro ano tem um intervalo enorme de normalidade, e saber como é esse intervalo, o que apoia o desenvolvimento e que sinais merecem o olhar de um médico transforma uma ansiedade vaga em algo sobre o qual pode agir.

Porque acontece nesta idade

Os bebés mudam mais no primeiro ano do que em qualquer outra fase, e fazem-no ao seu próprio ritmo. A Organização Mundial da Saúde acompanhou bebés saudáveis em vários continentes e verificou que sentar sem apoio surgia algures entre os 4 e os 9 meses, gatinhar sobre mãos e joelhos entre os 5 e os 13 meses, e andar sozinho entre os 8 e os 18 meses. Uma etapa é uma janela, não um prazo.

As listas que os médicos usam têm isto em conta. A revisão de 2022 das listas "Learn the Signs. Act Early." dos CDC indica cada competência na idade em que pelo menos três em cada quatro bebés já a fazem; por isso, uma competência que ainda falta nessa idade é motivo para uma conversa, não um veredicto.

Se o bebé nasceu prematuro, use a idade corrigida: conte a partir da data prevista do parto e não da data de nascimento, e continue a fazê-lo até cerca dos dois anos. Um bebé que nasceu oito semanas antes do tempo e tem seis meses de calendário está, em termos de desenvolvimento, nos quatro meses.

O desenvolvimento também avança de forma desigual nas diferentes áreas. Um bebé que está a pôr toda a energia em aprender a gatinhar pode ficar mais calado durante umas semanas e depois recuperar de uma vez. Alguns bebés nunca gatinham e deslocam-se sentados, ou passam logo a pôr-se de pé. O temperamento também conta: um bebé mais cauteloso pode observar durante semanas antes de tentar o que um bebé mais ousado experimenta logo. O que importa é que o bebé continue a ganhar competências em todas as áreas ao longo do tempo e que nada do que já aprendeu desapareça.

O que ajuda

Dê ao bebé, todos os dias, tempo no chão sem pressa, incluindo de barriga para baixo. A força para rebolar, sentar e gatinhar constrói-se no chão, não na espreguiçadeira nem na cadeira do carro. Desde as primeiras semanas, ponha o bebé de barriga para baixo num tapete firme durante um ou dois minutos, várias vezes ao dia, enquanto está acordado e sob a sua vigilância, e vá aumentando o tempo à medida que ele tolera mais. Deite-se de frente para ele, ou coloque um espelho ou um brinquedo colorido um pouco fora do alcance.

Vá contando o que faz nos cuidados do dia a dia. Os bebés aprendem a língua com palavras dirigidas a eles por uma pessoa que conhecem, não com conversas de fundo. Mudar a fralda, dar de mamar e o banho são dezenas de pequenas lições de linguagem por dia, se for falando: "Tiramos as meias. Um pé, dois pés. Agora a água quentinha. Chape!" Cantar funciona igualmente bem.

Responda a cada som e expressão. Os investigadores do desenvolvimento chamam a isto "servir e devolver": o bebé oferece um palrar, um grunhido ou um olhar, e o adulto devolve. Quando o bebé diz "ba", diga "ba" também, depois faça uma pausa e espere, mesmo dez segundos, para que aprenda que uma conversa tem vez para cada um. Quando ele olha para o gato, siga o olhar dele e diga o nome. Estas pequenas trocas constroem as ligações para a fala, a atenção e a relação.

Leiam e apontem juntos. A partir dos poucos meses, um livro de cartão resistente ao colo vale uns minutos por dia. Aponte para a imagem e diga o nome, e depois veja para onde o bebé olha. Aos nove ou dez meses, muitos bebés já seguem o seu dedo quando aponta e, um pouco mais tarde, apontam eles próprios, um primeiro passo na atenção partilhada.

Deixe os ecrãs de fora, por agora. As recomendações pediátricas são evitar ecrãs, com exceção das videochamadas com a família, antes dos 18 meses, porque os bebés ainda não conseguem aprender com um ecrã como aprendem com um rosto. Se costuma pôr um vídeo enquanto cozinha, experimente antes um cesto com utensílios de cozinha seguros no chão, perto de si.

Tome nota, de forma simples, do que o bebé faz e quando. Uma linha com data numa nota do telemóvel chega: "rebolou de barriga para cima", "riu-se com o cucu", "virou-se quando disse o nome dele". Ao fim de umas semanas, mostra o que a preocupação não consegue mostrar: se as competências estão a chegar de forma regular. E dá ao médico algo concreto em que se apoiar.

O que evitar

Comparar o bebé com outros bebés ou com tabelas da internet. O bebé de uma amiga que anda aos nove meses não diz nada sobre o seu, e as tabelas que circulam nas redes sociais costumam indicar médias em vez do intervalo completo, o que faz com que metade dos bebés saudáveis pareça "atrasada". Compare o seu bebé com ele próprio há um mês.

Treinar competências à força. Segurar o bebé de pé durante longos períodos, sentá-lo com almofadas antes de ele conseguir manter a posição, ou fazer "exercícios" várias vezes ao dia não acelera nada. Os andarilhos não antecipam a marcha e trazem um risco real de lesões. A brincadeira do próprio bebé, consigo por perto, é o treino.

Convencer-se a ignorar o seu instinto. Os pais são muitas vezes os primeiros a notar que algo é diferente, por vezes meses antes de qualquer outra pessoa. O sossego que os familiares oferecem é bem-intencionado, mas não é uma avaliação. Uma preocupação que insiste em voltar merece ser vista a sério.

Esperar meses para "ver como corre". No primeiro ano, três meses são uma grande fatia da vida do bebé. Se uma competência concreta da lista abaixo estiver em falta, pergunte já. Se a avaliação mostrar que está tudo bem, não perdeu nada; se for preciso apoio, ganhou avanço.

Quando procurar ajuda

Fale com o pediatra, o médico de família ou a enfermeira do centro de saúde e peça uma avaliação do desenvolvimento se notar algum dos seguintes sinais. Baseiam-se nas orientações sobre etapas do desenvolvimento dos CDC e da Academia Americana de Pediatria e são motivos para uma avaliação, não um diagnóstico.

Por volta dos 2 a 3 meses: o bebé não reage a sons fortes; não olha para a sua cara nem a segue brevemente com os olhos; não sorri para as pessoas; não consegue levantar minimamente a cabeça quando está de barriga para baixo; ou parece invulgarmente rígido ou invulgarmente mole.

Por volta dos 4 meses: não mantém a cabeça firme quando é segurado na vertical; não faz outros sons além do choro, ou não palra de volta quando lhe fala; não leva as mãos à boca; ou não se vira na direção da sua voz.

Por volta dos 6 meses: não tenta alcançar nem agarrar objetos; não rebola para nenhum dos lados; não ri nem dá gritinhos; não mostra interesse pelas pessoas; ou usa um lado do corpo muito mais do que o outro.

Por volta dos 9 meses: não faz lalação com sons repetidos como "bababa"; não olha quando o chama pelo nome; não se senta, nem com apoio; não passa objetos de uma mão para a outra; ou não sorri nem ri com o cucu.

Por volta dos 12 meses: não se põe de pé com apoio; não usa gestos como dizer adeus ou levantar os braços para pedir colo; não procura algo que o viu esconder; não responde ao nome; ou mostra uma preferência forte por uma das mãos.

Em qualquer idade: o bebé perde uma competência que já tinha, sejam sons, movimentos ou respostas sociais. Isto justifica sempre uma avaliação rápida.

O rastreio faz parte normal dos cuidados ao bebé: a Academia Americana de Pediatria recomenda um rastreio formal do desenvolvimento aos 9 meses e novamente no segundo ano, além das perguntas feitas em cada consulta, por isso levantar uma preocupação apenas antecipa essa conversa. Em Portugal, as consultas de vigilância de saúde infantil previstas pela Direção-Geral da Saúde incluem também a avaliação do desenvolvimento. Quando é encontrado um atraso, o apoio pode começar antes de existir qualquer diagnóstico, e quanto mais cedo começar, mais o cérebro em crescimento do bebé consegue aproveitá-lo.

Fontes

Este guia é informação geral e não substitui aconselhamento médico ou psicológico. Se estiver preocupado com o seu filho, fale com o médico ou com outro profissional.