ParentAI
‹ Todos os guias

6–7 anos

Construir confiança verdadeira aos 6 ou 7 anos: quando começa o "sou uma nódoa nisto"

Se o seu filho começou a dizer "não consigo", a amarrotar um desenho porque uma linha saiu torta ou a ficar calado enquanto os colegas põem o dedo no ar, está a ver algo que chega quase à hora marcada aos seis e sete anos. Inquieta ver uma criança que aos quatro não tinha medo de nada começar de repente a duvidar de si. Mas é uma fase normal, e uma em que o que faz em casa deixa uma marca duradoura.

Porque é que isto acontece nesta idade

Até agora, a maioria das crianças avaliava-se pelo facto de se ter divertido ou não. Por volta dos seis anos, acende-se algo novo: começam a comparar. Reparam em quem lê os livros mais compridos, em quem acaba primeiro, em quem é escolhido, e começam a situar-se nessa escada. Os psicólogos do desenvolvimento descrevem esta fase como uma tensão entre a produtividade e a inferioridade, em que a tarefa central da criança é sentir-se capaz nas coisas que o seu mundo valoriza, e agora o mundo que conta é a escola. Capacidades que em casa eram privadas ficam expostas todos os dias, nos grupos de leitura, nos ditados e no recreio.

O temperamento influencia o peso que isto tem. Algumas crianças são naturalmente mais sensíveis aos erros, sentem uma resposta errada no corpo todo e demoram mais a recompor-se. O perfeccionismo aparece muitas vezes nesta idade precisamente nestas crianças: se não conseguem fazer bem, preferem não fazer.

A forma como os adultos as elogiaram também conta mais do que a maioria de nós imagina. Uma criança a quem disseram durante anos que é "tão esperta" ou "um talento natural" aprendeu que a capacidade é algo fixo, que se tem ou não se tem. Na primeira vez que uma tarefa é mesmo difícil, essa crença vira-se contra ela: se as pessoas espertas acham isto fácil, e eu não, então não devo ser esperta. A investigação sobre o elogio mostrou que as crianças elogiadas pela inteligência desistem mais facilmente depois de um revés, enquanto as elogiadas pelo esforço continuam. Por fim, as crianças absorvem a forma como os adultos à sua volta reagem aos erros. Um pai ou uma mãe que suspira, corrige com secura ou toma conta da tarefa sem dizer nada ensina uma lição sobre o fracasso sem precisar de palavras.

O que ajuda

Elogie o processo, de forma concreta. O elogio vago escorrega; o elogio preciso fica e diz ao seu filho o que voltar a fazer. Em vez de "Espetacular!", experimente "Continuaste a tentar maneiras diferentes até a torre ficar de pé" ou "Leste essa palavra devagar, pelos sons, em vez de adivinhar." Repare na estratégia, na persistência e na evolução, mais do que no resultado.

Torne os erros normais, a começar pelos seus. As crianças aprendem o que significa um erro observando. Diga os seus em voz alta e mostre como recupera: "Enganei-me, deixa-me tentar outra vez." Ao jantar, cada um pode partilhar uma coisa que correu mal nesse dia e o que fez a seguir. Uma criança que ouve os adultos que admira a errar com calma deixa de tratar os seus próprios erros como catástrofes.

Use a palavra "ainda" e marque pequenos objetivos de superação. Quando o seu filho disser "Não consigo", responda "Ainda não consegues." É uma palavra pequena que transforma um veredicto numa fase. Depois escolha um objetivo logo a seguir ao ponto onde ele está: ler mais uma página do que ontem, nadar até à segunda marca, escrever três frases em vez de duas. Alcançar um objetivo de que duvidava constrói mais confiança do que qualquer quantidade de palavras tranquilizadoras.

Construa competência com responsabilidades reais e uma área que ele escolha dominar. A confiança cresce com provas. Dê ao seu filho uma tarefa a sério em casa, que seja dele para dominar: dar de comer ao animal, regar as plantas, pôr a mesa, fazer a própria mochila. Deixe-o fazê-la mal ao início. À parte, ajude-o a encontrar uma atividade escolhida por ele em que possa melhorar visivelmente ao longo dos meses, seja futebol, desenho, um instrumento ou construções. Uma criança que sabe que é mesmo boa numa coisa leva essa sensação para as coisas que acha difíceis.

Deixe-o esforçar-se um pouco antes de intervir. Quando o seu filho fica preso, a vontade de ajudar é forte. Espere um momento mais do que lhe parece confortável. Se continuar preso, dê uma pista em vez da resposta: "O que podias tentar primeiro?" ou "Olha para a imagem, ajuda?" Se precisar mesmo de lhe mostrar, devolva-lhe logo a tarefa. Da mesma forma, evite correções duras. "Está mal, vê outra vez" faz a criança bloquear; "Quase, confirma a última" mantém-na a trabalhar.

Fale dos pontos fortes dele em voz alta, também à frente dos outros. Diga algo verdadeiro e concreto a um avô ou a uma amiga enquanto o seu filho está a ouvir: "Esteve meia hora com aquele puzzle sem desistir" ou "É mesmo querido com os mais pequenos no parque." Não é bajulação; são provas dadas por alguém em quem ele confia.

Separe o carinho do desempenho. A coisa mais protetora que pode dar a uma criança de seis anos é a certeza de que o seu amor não é um prémio. Depois de um mau ditado, o abraço, a história antes de dormir e o interesse pelo dia dele são exatamente iguais aos de depois de um bom. Garanta que ele ouve, com regularidade, que gosta de estar com ele por quem ele é, não pelo que conseguiu.

O que evitar

Elogios vazios ou constantes. "És tão esperto", "incrível" e "perfeito" ditos a propósito de tudo tornam-se ruído de fundo, e a criança depressa sente que as palavras não estão ligadas a nada de real. Pior, o elogio à capacidade arma uma armadilha para a primeira tarefa difícil.

Comparações, mesmo favoráveis. "Lês muito melhor do que o teu irmão lia" continua a ensinar que o valor se mede em relação aos outros. Uma criança que aprende a comparar-se vai acabar por encontrar alguém melhor do que ela.

Criticar a pessoa em vez da ação. "És tão desastrado" é sobre quem ele é; "A água entornou-se porque o copo estava na ponta da mesa" é sobre o que aconteceu e o que mudar. As crianças desta idade levam as afirmações gerais à letra e carregam-nas.

Resolver tudo. Refazer os trabalhos de casa com boa letra, reconstruir a maqueta ou acabar o desenho por ele passa uma mensagem clara: o que fizeste não chegava. Cada salvamento tira-lhe uma oportunidade de descobrir que era capaz.

Empurrar demasiado para situações de exibição. Uma criança tímida não ganha confiança por ser obrigada a recitar um poema numa festa de família. Ofereça passos pequenos e voluntários, como ler para o cão antes de ler para a avó, e deixe-o escolher quando.

Desvalorizar o sentimento. "Claro que és bom nisso, não sejas tonto" é dito com carinho, mas diz à criança que a preocupação dela está errada. Experimente primeiro "Parece que hoje isso foi mesmo difícil" e só depois falem do que pode ajudar.

Quando procurar ajuda

Oscilações na confiança são normais nesta idade, mas alguns padrões merecem atenção. Fale com o médico de família, a escola ou um psicólogo infantil se:

Se a perda de confiança parecer ligada a uma área em particular, como a leitura, a escrita ou a matemática, pergunte à professora se uma avaliação ajudaria. Uma dificuldade específica de aprendizagem que passa despercebida é uma razão comum para uma criança capaz decidir que "não presta para nada", e responde bem ao apoio certo.

Fontes

Este guia é informação geral e não substitui aconselhamento médico ou psicológico. Se estiver preocupado com o seu filho, fale com o médico ou com outro profissional.