ParentAI
‹ Todos os guias

13–14 anos

Identidade e Expressão aos 13 e 14 Anos: Manter a Proximidade Enquanto o Seu Filho Descobre Quem É

Num mês é um corte de cabelo novo e uma banda de que nunca ouviu falar; no seguinte é uma opinião forte ao jantar, um rótulo para si próprio que na semana passada não existia e a recusa em vestir o que quer que tenha sido escolhido por si. Se o seu filho de 13 ou 14 anos parece estar a mudar mais depressa do que consegue acompanhar, é a idade a fazer aquilo que deve fazer. A criança que conhece continua lá. Está a experimentar versões de si própria, e a forma como responde determina quão seguro é esse experimentar.

Porque acontece nesta idade

Descobrir quem se é é a tarefa central da adolescência, e é no início dela que começa a sério. Ninguém descobre uma identidade a pensar em silêncio. Faz-se por experiência: adotar um visual, um gosto, uma posição, ver como se sente por dentro e como é recebido pelos outros, ficar com o que assenta e largar o resto. Uma fase apanhada e abandonada num mês não é uma falha de carácter. É uma experiência concluída.

O grupo de pares é o espelho à frente do qual tudo isto acontece. Aos 13 e 14 anos, a opinião dos amigos pesa mais do que há um ano, e pertencer a um grupo vem muitas vezes antes de perceber o que os distingue dentro dele. É por isso que a roupa e a música novas tendem a chegar em conjuntos muito parecidos com o que os amigos vestem e ouvem.

Por baixo, o cérebro adolescente procura novidade e estatuto entre os pares. Os sistemas que respondem à recompensa, ao novo e à aprovação social amadurecem mais cedo do que os que pesam as consequências e pensam a longo prazo. Esta diferença é normal e vai diminuindo ao longo da adolescência. Entretanto, faz com que experimentar coisas novas pareça maravilhoso e ser visto como infantil pareça insuportável.

Afastar-se de si também faz parte do trabalho, e é confuso porque acontece enquanto ainda precisa de si. Um adolescente pode chocar de frente com os valores da família na terça e querer que se sente ao pé dele na quarta. O empurrar testa se os valores são mesmo seus ou apenas emprestados; o regressar confirma que a base continua lá.

Mais uma coisa que vale a pena saber: reações fortes dos pais tornam uma experiência mais resistente. Se um penteado dá direito a uma guerra, deixa de ser sobre cabelo e passa a ser sobre ser levado a sério, e agora ele tem de o manter. Um interesse calmo deixa a fase seguir o seu curso natural.

O que ajuda

Comece pela curiosidade, não pelo julgamento. Quando aparece algo novo, faça uma pergunta verdadeira antes de dizer mais nada. "Conta-me o que gostas nessa banda." "O que te levou a pensar assim?" Depois escute sem corrigir. Vai perceber o que ele procura, e ele vai aprender que mostrar-lhe um pedaço de si não é perigoso.

Separe estilo de segurança e diga essa distinção em voz alta. Cabelo, roupa, música, posters e a maioria das opiniões são escolhas dele. Drogas e álcool, armas, encontrar-se sozinho com pessoas da internet e tudo o que ponha em risco o corpo dele ou o de outra pessoa não são. Experimente: "O teu cabelo e a tua roupa são teus. As regras que ficam são sobre segurança, e são poucas." Um pequeno número de limites firmes é muito mais fácil de aceitar quando a maior parte da vida dele claramente não está a ser vigiada.

Mantenha os poucos limites reais claros e calmos. Decida as regras inegociáveis, mantenha a lista curta e aplique-a sempre da mesma forma, sem sermões. "Sabes qual é a regra nisso. Não vai mudar, e não tem nada a ver com quem tu és." Um limite dito com calma e repetido funciona melhor do que um discutido do zero todas as semanas.

Dê-lhe escolha e voz nas decisões da família. Um adolescente a quem se pergunta onde a família vai no sábado, quais devem ser as regras do telemóvel ou como se dividem as tarefas tem menos necessidade de provar a sua independência a chocar. Não tem de concordar com tudo; tem de ouvir a sério e, às vezes, deixar a opinião dele ganhar. "Ainda não decidimos nada sobre o verão. Como é que gostavas que fosse?"

Respeite as opiniões dele, mesmo quando discorda. Experimente "Eu vejo isso de outra forma, e quero perceber porque pensas assim." Pode manter a sua posição e, ainda assim, deixar evidente que o pensamento dele é bem-vindo.

Mantenha a ligação através daquilo de que ele gosta. Peça-lhe que lhe ponha a música a tocar. Veja um episódio da série. Deixe-o explicar o jogo. Não tem de gostar, e fingir é detetado de imediato. O que importa é ter aparecido.

Repare em quem ele se está a tornar e diga-o. Para lá das mudanças à superfície, dê nome ao carácter que vê: "Hoje defendeste o teu amigo. É essa a pessoa em que te estás a tornar." Adolescentes que se sentem vistos pelas suas qualidades precisam menos do público que se ganha a provocar uma reação.

Se ele lhe confiar algo pessoal, receba-o com carinho e sem pressão. Nesta idade, um adolescente pode abrir-se sobre uma preocupação, uma amizade que correu mal, um erro de que se arrepende ou emoções com que tem dificuldade em lidar. Seja o que for que sinta no momento, aquilo de que ele precisa primeiro é saber que continua a ser amado e que está seguro consigo. "Obrigado por me contares. Gosto muito de ti, e nada disso muda." Pergunte do que ele precisa em vez de presumir. Guarde entre os dois o que ele lhe contar, a menos que a segurança dele esteja em risco; passá-lo a familiares ou à escola sem lhe perguntar torna a próxima conversa menos provável. O diário, o telemóvel e a porta do quarto dele merecem o mesmo respeito. Se ele quiser falar com alguém para além de si, indique-lhe um adulto de confiança, como o psicólogo da escola, o médico de família ou um familiar em quem confie, e facilite-lhe o caminho até lá.

O que evitar

Troçar de uma fase ou desvalorizá-la. "Isso passa-te" pode ser verdade, mas diz-lhe que a pessoa que ele é agora não conta. Também torna a fase mais difícil de largar, porque largá-la seria dar-lhe razão.

Proibir formas de expressão inofensivas. Proibir um corte de cabelo ou um estilo de roupa raramente produz um adolescente que concorda consigo. Produz um que o faz em casa de um amigo e deixa de lhe contar as coisas.

Fazer o amor parecer condicionado a conformar-se. Ficar frio, retirar o carinho ou dar a entender que está desiludido com a pessoa em que ele se está a tornar é a resposta mais prejudicial que existe. Adolescentes que acreditam que a aprovação depende de corresponder às expectativas aprendem a esconder-se, não a mudar.

Compará-lo com os irmãos ou com a sua própria adolescência. "A tua irmã nunca se vestiu assim" e "Quando eu tinha a tua idade" soam ambos a prova de que preferia outro filho.

Criticar em público. Um comentário sobre a aparência dele à frente de amigos ou familiares é vivido como humilhação e lembrado durante anos. O que tiver de ser dito pode ser dito em privado.

Ver significado em cada mudança. A maioria dos visuais e rótulos novos são exatamente o que parecem: uma experiência. Tratar cada um como sinal de algo mais profundo põe pressão num processo que funciona melhor quando se mantém leve.

Quando procurar ajuda

Experimentar identidades é saudável. Fale com o médico de família, o psicólogo da escola ou um psicólogo se notar:

Fontes

Este guia é informação geral e não substitui aconselhamento médico ou psicológico. Se estiver preocupado com o seu filho, fale com o médico ou com outro profissional.