"Como foi a escola?" "Bem." "Aconteceu alguma coisa?" "Não." "O que comeste ao almoço?" "Não me lembro." A porta fecha-se. Muitos pais de filhos mais velhos sabem este diálogo de cor, e pode parecer que o filho que antes lhe contava tudo saiu de casa, apesar de continuar a viver no quarto ao fundo do corredor. Depois, às onze da noite, quando está exausto e já a caminho da cama, ele aparece na cozinha e quer falar de tudo. Os dois momentos são normais. A questão é como fazer com que o segundo tipo continue a acontecer.
Porque é importante
Durante anos, os conselhos aos pais de adolescentes centraram-se na supervisão: saber onde estão, com quem estão, o que estão a fazer. Num estudo influente, os psicólogos Håkan Stattin e Margaret Kerr foram ver de onde vinha, afinal, o conhecimento dos pais. A resposta foi que vinha sobretudo dos próprios adolescentes, através do que escolhiam contar. As perguntas e as regras dos pais explicavam muito menos. Os jovens que mais contavam aos pais eram aqueles que sentiam que os pais iam reagir com calma e sem críticas constantes.
Isto encaixa no que sabemos sobre o desenvolvimento na adolescência. O cérebro adolescente é especialmente sensível à avaliação social e a sentir-se controlado, e afastar-se um pouco dos pais é uma parte saudável e esperada da construção de uma identidade independente. Os adolescentes não estão a rejeitar a ligação; estão a renegociar os seus termos. Querem ser levados a sério, ter alguma privacidade e trazer os assuntos no seu próprio tempo.
Por isso, o objetivo não é arrancar informação, mas ser o tipo de pessoa a quem parece seguro contar coisas. Cada reação sua, sobretudo às coisas pequenas, fica silenciosamente registada. Um pai ou uma mãe que se mantém sereno perante uma má nota ou uma discussão parva está a mostrar ao filho adolescente que as coisas maiores também lhe podem ser trazidas.
Experimente hoje
- Converse lado a lado, e não frente a frente. Viagens de carro, passear o cão, cozinhar, lavar a loiça, um lanche já tarde. Menos contacto visual significa menos pressão, e um fim natural torna a conversa menos arriscada.
- Faça uma pergunta curiosa, não um interrogatório. Troque o "Como foi a escola?" por algo concreto e leve: "Qual foi a parte mais irritante de hoje?" ou "Quem é a pessoa mais engraçada da tua turma neste momento?" Depois deixe o silêncio trabalhar um pouco.
- Ouça mais do que aconselha. Quando ele descrever um problema, experimente "Isso parece mesmo frustrante" ou "O que achas que vais fazer?" antes de oferecer soluções. Se quiser ajudar, pergunte: "Queres ideias, ou só precisas de desabafar?"
- Mantenha a calma quando surge algo grande. As suas primeiras palavras são as que mais contam. "Obrigado por me contares. Ainda bem que o fizeste" dá-lhe tempo para pensar e torna mais provável que ele volte a contar-lhe da próxima vez. Pode na mesma definir limites mais tarde, quando os dois estiverem mais calmos.
- Mostre interesse pelo mundo dele, nos termos dele. Peça-lhe que lhe explique um jogo, uma música ou uma tendência online, e seja genuinamente curioso em vez de crítico. Interessar-se pelo que é importante para ele dá-lhe lugar nas conversas que são importantes para si.
Na prática
O Vasco, de quinze anos, e a mãe, a Patrícia, estão a passear o cão depois do jantar. A Patrícia aprendeu que é nos passeios que o Vasco fala, por isso mantém o telemóvel no bolso e as perguntas em número reduzido. A meio da volta ao jardim, ele diz: "Na festa do Gustavo, no sábado, houve um que ficou mesmo bêbedo. Tipo, bêbedo a vomitar. Os pais dele não estavam em casa."
A Patrícia sente um aperto no estômago. Quer perguntar se o Vasco estava a beber, porque é que não disse que os pais estavam fora e se alguma vez vai voltar a casa do Gustavo. Em vez disso, respira fundo. "Uau. Isso parece assustador. E vocês, o que fizeram?" O Vasco explica que ele e um amigo ficaram com o rapaz e o obrigaram a beber água. "Fizeram muito bem", diz a Patrícia. "Fico mesmo contente por me teres contado." Continuam a andar. Uns minutos depois, o Vasco acrescenta, sem que ninguém lhe pergunte, que bebeu uma bebida e não gostou.
A Patrícia vai falar com ele amanhã sobre festas e supervisão, com calma e com expectativas claras. Mas esta noite protegeu o que mais importa: o Vasco aprendeu que contar à mãe algo difícil não lhe rebentou nas mãos.
Por idades
- 0–2 anos: A base começa agora. Responda ao palrar como se fosse uma conversa, faça uma pausa para a "vez" dele e mostre na cara que os sons dele lhe interessam.
- 3–6 anos: Ouça as histórias longas e cheias de voltas com atenção genuína. As crianças que se sentem ouvidas sobre coisas pequenas nesta idade habituam-se a vir ter consigo.
- 7–11 anos: Crie hábitos de conversa nas rotinas do dia a dia, como o caminho para casa ou a hora de deitar. Mantenha a calma perante a confissão de pequenas asneiras; é treino para as maiores, mais tarde.
- 12–16 anos: Conte com respostas curtas em alguns dias e com longas conversas a horas estranhas noutros. Esteja disponível até tarde, bata à porta antes de entrar e guarde para si o que ele lhe conta em confiança, a não ser que a segurança dele esteja em risco.
Quando custa
"O meu adolescente só me responde com grunhidos." Muitos adolescentes passam por fases em que dizem muito pouco, sobretudo aos pais. Mantenha a porta aberta sem forçar: um lanche deixado na secretária, um "Queres vir comigo ao supermercado?", uma piada. Uma persistência calorosa, sem pressão, compensa muitas vezes mais tarde. Se o afastamento vier acompanhado de mudanças no sono, na alimentação, nas amizades ou na escola, ou de conversas sobre falta de esperança, contacte o médico dele ou o psicólogo da escola.
"Se eu ficar calmo, não vai achar que aprovo?" Ficar calmo não é o mesmo que concordar. Pode ouvir primeiro e partilhar os seus valores e limites depois: "Ainda bem que me contaste. Não estou de acordo que vás a festas sem adultos presentes, e vamos falar sobre isso." Os adolescentes ouvem os limites muito melhor quando não se sentem atacados.
"Contam tudo aos amigos e nada a mim." Isso é normal para a fase de desenvolvimento; os pares tornam-se muito importantes na adolescência. Não precisa de ser o único confidente, apenas um confidente de confiança para as coisas que importam. A investigação sobre a partilha de informação sugere que a relação que mantém agora é o que os traz de volta quando conta.
Erros comuns
- Transformar cada conversa numa lição. Se todas as conversas acabarem num sermão, os adolescentes aprendem a encurtá-las. Guarde a lição para outra altura, ou deixe-a cair.
- Usar contra eles o que partilham. Trazer uma confissão para a discussão seguinte, ou contá-la a outros familiares, ensina-os a deixar de confiar em si. Proteja a confiança deles com cuidado.
- Só falar de problemas. Se a maior parte das vossas conversas for sobre notas, tarefas e telemóveis, o seu filho vai fugir delas. Deixe espaço para piadas, interesses em comum e conversa sem objetivo.
Numa frase
Os adolescentes continuam a falar com os pais que ouvem mais do que perguntam e que mantêm a calma quando mais importa.
Fontes
- Stattin, H., e Kerr, M., "Parental monitoring: A reinterpretation" (Child Development, 2000)
- Faber, A., e Mazlish, E., "How to Talk So Teens Will Listen and Listen So Teens Will Talk" (livro, 2005)
- Damour, L., "The Emotional Lives of Teenagers" (livro, 2023)